quinta-feira, 19 de abril de 2012

Vidas Secas - Graciliano Ramos

Vamos falar de "Vidas Secas", do Graciliano Ramos. É forte o texto. Foi escrito em 1937. Conta a história de uma família retirante na seca do Nordeste. As imagens, os sofrimentos, os sentimentos dos poucos personagens do livro estão todos condicionados à miséria do sertão. Mostra um autor extremamente empenhando em traduzir para o público leitor (se hoje leitores são elite, imagine na década de 1940) o que ele julga ser um dos principais problemas do Brasil. Certamente, ele contribuiu para a interpretação do que significa desenvolmento equilibrado no Brasil nos moldes em que vemos hoje, e muitos dos pensadores das políticas públicas forjaram sua visão da seca nesse livro. Mais que um grande marco do nosso modernismo, é leitura obrigatória e atual para quem conduz os rumos do país.
Da mesma forma que o autor de O Velho e o Mar, Graciliano é muito descritivo. Suas palavras são como traços de um desenho, capazes de formar em nossa mente a imagem perfeita do cenário enfrentado. Transforma visões em sentimento e leva o leitor ao âmago dos acontecimentos narrados. De forte conteúdo social, numa época em que imperava o panfletismo (promoção de opiniões sobre os problemas sociais), dizem que ele foi até comedido. Quem lê não percebe esse comedimento, pois fica impressionado. Transporta o sentimento por dias após o fim do livro. Ganhou o prêmio William Faulkner (autor do O Som e a Fúria e nobel de literatura em 1949) em 1962.
Uma curiosidade sobre o livro: é um romance desmontável, isto é, seus capítulos podem ser lidos em ordem diferente de como foram postos no livro... Mas isso vocês já viram... Quem leu A Conspiração do Tempo, sabe que dá para mudar a ordem de seus capítulos...

domingo, 1 de abril de 2012

A Sereníssima República - Machado de Assis

Mais uma peça de literatura que recomendo. É de Machado de Assis. Primerio presidente da Academia Brasileira de Letras, nascido em 1839 e morto em 1908, sua bibliografia pode ser lida em http://pt.wikipedia.org/wiki/Machado_de_Assis e http://www.machadodeassis.org.br/ Vale a pena conhecê-lo.

Machado é um crítico do homem, da sociedade brasileira e carioca.Conhece a psiqué humana como poucos escritores. Talvez por isso se preocupe mais na descrição psicológica de seus personagens que na descrição física, a tal ponto que conseguimos antecipar a reação dos protagonistas. Comparem o texto de Hemingway com o do Machado. Vejam os recursos que usam para alcançarmos os espíritos de quem eles escrevem. Bem bacana!

A Sereníssima República é curto. Umas seis páginas. Li tem alguns anos e sempre lembro desse escrito. Quem ler vai gostar...

O Velho e o Mar - Ernest Hemingway

Há duas semanas li "O Velho e o Mar", numa tradução de Jorge de Sena. O Jorge foi um português que morreu em 1978. Assim, quem o ler poderá estranhar um pouco a linguagem do texto.

É curto. Li em duas horas, entre ligações para o Rio, porém não se enganem... Trata-se de um escrito poderoso, nascido das mãos de Ernest Hemingway, numa primorosa captura dos conflitos individuais de quem está no limite de suas forças físicas e psicológicas.

Recomendo, especialmente para aqueles que já lutaram e lutaram, por muito tempo, tentando conseguir algo que parece a solução de todas as angústias, mas que, ao final, "morreu na praia". Decepção e frustação; nunca autopiedade; nunca desistência. É uma lição que nos ensina que o sucesso pode não ser o alcance do objetivo, mas, sim, a luta, a perseverança e a dignidade. O reconhecimento e a admiração dos que nos cercam sempre vêm, de alguma forma, em algum tempo, e tornam-se parte de nossa lenda pessoal.

Leiam, reflitam e juntem às suas bagagens de experiências e conceitos que nos fazem ir sempre à frente, fazendo de nossa jornada algo maior do que uma simples caminhada.

Primeiras Palavras

A ideia foi de minha irmã. Aceitei e criei esse blog. Espero que nasçam e floreçam pensamentos inspiradores para todos.