Diversas pessoas são escritores sem publicação. Acham que é difícil ou substimam o próprio talento. Suas
obras ficam adstritas em seus íntimos buscando a luz de um público ainda que seja um familiar próximo ou um amigo. Começam com pensamentos que jamais alcançam o papel, escrevem timidamente em cadernos ou folhas soltas e, em poucos casos, são postos em um blog. Dificilmente, serão organizados em livros! Mas tudo isso é a parte fácil do processo de escrever, por isso não há porque não fazê-lo. Hoje não se necessita de uma editora que aceite o texto. Pode-se escrever em qualquer lugar da internet. Pode-se utilizar editoras virtuais e sob demanda. Não é necessário imprimir a obra ou ter uma tiragem mínima. Pode-se até ser uma editora pessoal.
Então, qual é o problema depois que se supera a inação e a timidez?
Apenas um: divulgação.
Ainda que as obras estejam organizadas e disponíveis, é muito complicado fazê-las ultrapassar o círculo familiar ou de amizades. Primeiro porque as editoras que têm penetração no mercado não publicam obras de desconhecidos ou que não tenham provado sucesso em outros mercados. Segundo porque não estamos acostumados a nos divulgar ou a fazer usa de ferramentas de divulgação. Muita gente fala das redes sociais, mas percebo que a rede social simplesmente faz parte de seu círculo social. Pior, os usuários das redes sociais estão mais preocupados em falar do que ler. Não costumam por à frente a divulgação de amigos. Fiz minha estatísca pessoal: apenas dois porcento de meus amigos nas redes empenharam esforços em divulgar minhas obras. É o mesmo percentual que uma mala direta. A mala, porém, não o faz parecer um mala e alcança pessoas fora de seu círculo social.
Uma outra opção é manter um site. Também já o fiz. Era interessante, mas o tempo de manutenção para torná-lo atraente era maior que o disponível ou o compatível com escritor que vive de outras fontes.
Para piorar, além do mercado editorial brasileiro ser avesso a riscos, o público leitor é pequeno. Amigos nem chegam a acreditar em você, e comprar a obra passar a ser um ato de cortesia. Lê-la, muitas vezes, um sacrifício. Alguns preferem ler desconhecidos que tenham adquirido em livrarias por conta de bonitas capas do que se aventurar nas letras de um amigos.
Até o Paulo Coelho penou para emplacar a primeira obra, uma publicação paga.
Uma pena... São escritores fadados às sombras a não ser que façam alguma outra coisa...
Comecei um texto para seguir de guia aos nobres guerreiros das letras, cujos esforços para fortalecer a cultura nacional ainda não esmoreceram diante de tantas agruras. É autorreflexivo.Começa do básico e pretende atingir algumas grandes questões. Quem sabe não encontro meu próprio caminho.
Não percam as próximas edições.
Leituras e Pensamentos
Reflexões para me tornar um escritor e leitor melhor.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
quinta-feira, 3 de maio de 2012
O Alquimista - Paulo Coelho
O Alquimista - Paulo Coelho
Muito se fala sobre esse autor. Ele é membro da Academia Brasileira de Letras, mas não se tornou imortal por isso. Ao contrário, ele já era imortal antes de seu ingresso. Apesar disso, muitos duvidam que ele deveria estar na cadeira 21, como seu oitavo ocupante.
O primeiro livro que li dele foi o Alquimista. Antes dele, Paulo Coelho (PC) publicou Arquivos do Inferno, Manual Prático do Vampirismo (participante), O Diário de um Mago. Li muitos outros depois (Brida (1990), As Valkírias (1992), Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (1994), Maktub, O Demônio e a Srta. Prym (2000), Onze Minutos (2003), O Zahir (2005), A Bruxa de Portobello (2007) e talvez outros), mas o que mais gostei foi o Alquimista. Este foi o livro mais vendido de todos os tempos no Brasil e, dos que li, o que tem melhor roteiro.
A marca registrada dele é a busca pelo espiritual, algo que compartilho com ele. Começou com filosofia esotérica e depois foi para a mitologia cristã.
O Alquimista conta a história de um rapaz que teve um sonho. Nele, encontra um tesouro no outro lado do estreito de Gibraltar. Quando acordou, decidiu ir em busca do tesouro. No caminho, cresce como pessoa, espiritualmente e descobre alguns poderes espirituais. O final é bem legal. Recomendo a leitura.
Ele não é um escritor brilhante, mas obtém resultados brilhantes. Qual o segredo? Primeiro, ele escreve corretamente, de modo muito simples e direto. Suas mensagens têm apelo e chegam facilmente a todos. Não é daqueles escritores rebuscados, chatos, sempre preocupados em mostrar erudição. Paulo tem textos que beiram a hulmildade e que sintonizam com o leitor. Segundo, suas mensagens são otimistas e construtivas; as pessoas gostam disso e eu também. Ele, ao contrário das escolas de língua inglesa, não é muito descritivo - como eu, prefere movimento à imagem. Essas qualidades, que são imensas, não bastam para alcançar seu patamar. O mercado editorial é arisco, avesso aos riscos e pouco investe em desconhecidos, ainda que ele já tivesse expressão quando se lançou às letras. O PC trabalhou muito na sua promoção, ao ponto de panfletar seu trabalho. Mereceu destaque.
Acredito que ele mereça a cadeira na ABL. Colocou a literatura nacional nas listas de mais vendidos na França, Brasil, Polônia, Suíça, Áustria, Argentina, Grécia, Croácia. Foi o segundo escritor mais vendido do mundo em 1998. Só O Alquimista chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países. A lista de condecorações dele é imensa!
Assim, apesar das discussões entre os apaixonados e os detratores, não há o que discutir sobre seus números. São mesmo impressionantes.
Muito se fala sobre esse autor. Ele é membro da Academia Brasileira de Letras, mas não se tornou imortal por isso. Ao contrário, ele já era imortal antes de seu ingresso. Apesar disso, muitos duvidam que ele deveria estar na cadeira 21, como seu oitavo ocupante.
O primeiro livro que li dele foi o Alquimista. Antes dele, Paulo Coelho (PC) publicou Arquivos do Inferno, Manual Prático do Vampirismo (participante), O Diário de um Mago. Li muitos outros depois (Brida (1990), As Valkírias (1992), Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (1994), Maktub, O Demônio e a Srta. Prym (2000), Onze Minutos (2003), O Zahir (2005), A Bruxa de Portobello (2007) e talvez outros), mas o que mais gostei foi o Alquimista. Este foi o livro mais vendido de todos os tempos no Brasil e, dos que li, o que tem melhor roteiro.
A marca registrada dele é a busca pelo espiritual, algo que compartilho com ele. Começou com filosofia esotérica e depois foi para a mitologia cristã.
O Alquimista conta a história de um rapaz que teve um sonho. Nele, encontra um tesouro no outro lado do estreito de Gibraltar. Quando acordou, decidiu ir em busca do tesouro. No caminho, cresce como pessoa, espiritualmente e descobre alguns poderes espirituais. O final é bem legal. Recomendo a leitura.
Ele não é um escritor brilhante, mas obtém resultados brilhantes. Qual o segredo? Primeiro, ele escreve corretamente, de modo muito simples e direto. Suas mensagens têm apelo e chegam facilmente a todos. Não é daqueles escritores rebuscados, chatos, sempre preocupados em mostrar erudição. Paulo tem textos que beiram a hulmildade e que sintonizam com o leitor. Segundo, suas mensagens são otimistas e construtivas; as pessoas gostam disso e eu também. Ele, ao contrário das escolas de língua inglesa, não é muito descritivo - como eu, prefere movimento à imagem. Essas qualidades, que são imensas, não bastam para alcançar seu patamar. O mercado editorial é arisco, avesso aos riscos e pouco investe em desconhecidos, ainda que ele já tivesse expressão quando se lançou às letras. O PC trabalhou muito na sua promoção, ao ponto de panfletar seu trabalho. Mereceu destaque.
Acredito que ele mereça a cadeira na ABL. Colocou a literatura nacional nas listas de mais vendidos na França, Brasil, Polônia, Suíça, Áustria, Argentina, Grécia, Croácia. Foi o segundo escritor mais vendido do mundo em 1998. Só O Alquimista chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países. A lista de condecorações dele é imensa!
Assim, apesar das discussões entre os apaixonados e os detratores, não há o que discutir sobre seus números. São mesmo impressionantes.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Vidas Secas - Graciliano Ramos
Vamos falar de "Vidas Secas", do Graciliano Ramos. É forte o texto. Foi escrito em 1937. Conta a história de uma família retirante na seca do Nordeste. As imagens, os sofrimentos, os sentimentos dos poucos personagens do livro estão todos condicionados à miséria do sertão. Mostra um autor extremamente empenhando em traduzir para o público leitor (se hoje leitores são elite, imagine na década de 1940) o que ele julga ser um dos principais problemas do Brasil. Certamente, ele contribuiu para a interpretação do que significa desenvolmento equilibrado no Brasil nos moldes em que vemos hoje, e muitos dos pensadores das políticas públicas forjaram sua visão da seca nesse livro. Mais que um grande marco do nosso modernismo, é leitura obrigatória e atual para quem conduz os rumos do país.
Da mesma forma que o autor de O Velho e o Mar, Graciliano é muito descritivo. Suas palavras são como traços de um desenho, capazes de formar em nossa mente a imagem perfeita do cenário enfrentado. Transforma visões em sentimento e leva o leitor ao âmago dos acontecimentos narrados. De forte conteúdo social, numa época em que imperava o panfletismo (promoção de opiniões sobre os problemas sociais), dizem que ele foi até comedido. Quem lê não percebe esse comedimento, pois fica impressionado. Transporta o sentimento por dias após o fim do livro. Ganhou o prêmio William Faulkner (autor do O Som e a Fúria e nobel de literatura em 1949) em 1962.
Uma curiosidade sobre o livro: é um romance desmontável, isto é, seus capítulos podem ser lidos em ordem diferente de como foram postos no livro... Mas isso vocês já viram... Quem leu A Conspiração do Tempo, sabe que dá para mudar a ordem de seus capítulos...
domingo, 1 de abril de 2012
A Sereníssima República - Machado de Assis
Mais uma peça de literatura que recomendo. É de Machado de Assis. Primerio presidente da Academia Brasileira de Letras, nascido em 1839 e morto em 1908, sua bibliografia pode ser lida em http://pt.wikipedia.org/wiki/Machado_de_Assis e http://www.machadodeassis.org.br/ Vale a pena conhecê-lo.
Machado é um crítico do homem, da sociedade brasileira e carioca.Conhece a psiqué humana como poucos escritores. Talvez por isso se preocupe mais na descrição psicológica de seus personagens que na descrição física, a tal ponto que conseguimos antecipar a reação dos protagonistas. Comparem o texto de Hemingway com o do Machado. Vejam os recursos que usam para alcançarmos os espíritos de quem eles escrevem. Bem bacana!
A Sereníssima República é curto. Umas seis páginas. Li tem alguns anos e sempre lembro desse escrito. Quem ler vai gostar...
Machado é um crítico do homem, da sociedade brasileira e carioca.Conhece a psiqué humana como poucos escritores. Talvez por isso se preocupe mais na descrição psicológica de seus personagens que na descrição física, a tal ponto que conseguimos antecipar a reação dos protagonistas. Comparem o texto de Hemingway com o do Machado. Vejam os recursos que usam para alcançarmos os espíritos de quem eles escrevem. Bem bacana!
A Sereníssima República é curto. Umas seis páginas. Li tem alguns anos e sempre lembro desse escrito. Quem ler vai gostar...
O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
Há duas semanas li "O Velho e o Mar", numa tradução de Jorge de Sena. O Jorge foi um português que morreu em 1978. Assim, quem o ler poderá estranhar um pouco a linguagem do texto.
É curto. Li em duas horas, entre ligações para o Rio, porém não se enganem... Trata-se de um escrito poderoso, nascido das mãos de Ernest Hemingway, numa primorosa captura dos conflitos individuais de quem está no limite de suas forças físicas e psicológicas.
Recomendo, especialmente para aqueles que já lutaram e lutaram, por muito tempo, tentando conseguir algo que parece a solução de todas as angústias, mas que, ao final, "morreu na praia". Decepção e frustação; nunca autopiedade; nunca desistência. É uma lição que nos ensina que o sucesso pode não ser o alcance do objetivo, mas, sim, a luta, a perseverança e a dignidade. O reconhecimento e a admiração dos que nos cercam sempre vêm, de alguma forma, em algum tempo, e tornam-se parte de nossa lenda pessoal.
Leiam, reflitam e juntem às suas bagagens de experiências e conceitos que nos fazem ir sempre à frente, fazendo de nossa jornada algo maior do que uma simples caminhada.
É curto. Li em duas horas, entre ligações para o Rio, porém não se enganem... Trata-se de um escrito poderoso, nascido das mãos de Ernest Hemingway, numa primorosa captura dos conflitos individuais de quem está no limite de suas forças físicas e psicológicas.
Recomendo, especialmente para aqueles que já lutaram e lutaram, por muito tempo, tentando conseguir algo que parece a solução de todas as angústias, mas que, ao final, "morreu na praia". Decepção e frustação; nunca autopiedade; nunca desistência. É uma lição que nos ensina que o sucesso pode não ser o alcance do objetivo, mas, sim, a luta, a perseverança e a dignidade. O reconhecimento e a admiração dos que nos cercam sempre vêm, de alguma forma, em algum tempo, e tornam-se parte de nossa lenda pessoal.
Leiam, reflitam e juntem às suas bagagens de experiências e conceitos que nos fazem ir sempre à frente, fazendo de nossa jornada algo maior do que uma simples caminhada.
Primeiras Palavras
A ideia foi de minha irmã. Aceitei e criei esse blog. Espero que nasçam e floreçam pensamentos inspiradores para todos.
Assinar:
Postagens (Atom)